sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

2016: 3 ideias para descobrir o verdadeiro eu




A pressão de sermos meninas bonitas surge muito cedo na vida de uma mulher. Desde pequena que ouvimos comentários como "tens que te vestir como uma menina" ou "vamos portar-nos como uma menina bonita"... ouvia algumas vezes isso, não da minha mãe e avó mas de outras pessoas. Na verdade a minha infância não foi a de uma menina, mas de uma criança feliz.

A verdade é que tive sempre uma mentora feminina, a minha avó, que ao longo do meu crescimento esteve sempre presente a orientar-me em como tornar-me "uma mulher". E claro, a minha mãe também. Mas a minha avó deixou-me uma marca muito forte, foi com ela que comecei a descobrir-me como pessoa, como mulher.

Ela foi uma mulher super corajosa na época, fez a viagem sozinha de barco entre continentes de Cabo Verde para Lisboa e de Lisboa para Moçambique, e com uma bébé recém-nascida. Não era comum ver-se isso nos anos 50. Também ela estudou e era uma professora muito acarinhada por todos os alunos. Para além de ser uma mulher independente, também gostava de dançar, adorava ir aos bailes (contava-me) e tinha sempre um colar de pérolas para os eventos mais importantes. A minha avó foi uma grande senhora, aprendi com ela não só a escrever e a ler, mas aprendi muitos valores. Aprendi o valor do amor, da honestidade e da igualdade. Ela punha amor em tudo que fazia, desde os biscoitos às roupas que costurava, às conversas longas com as muitas pessoas que iam lá a casa. Ela sempre dizia que mais valia ser honesta e ter um diálogo sincero do que mentir e não conseguir dormir à noite. E num país como Moçambique, onde há muito diversidade cultural, ela ensinou-me a partilhar, a não discriminar e aceitar todas as pessoas, pois como dizia "o coração é mais importante". Além de tudo, já na minha adolescência apercebi-me que para além disto a minha avó era uma feminista. Ela - dentro das possibilidades - encorajava sempre cada mulher a ser independente, a ser dona do seu nariz, a divorciar-se se fosse necessário para ser feliz, a lutar para ter os mesmos direitos no trabalho.
Sendo que o seu último conselho fosse para quem fosse era sempre: "tem juízo".  A verdade é que ela me ajudou a descobrir o verdadeiro eu, pois encorajava-me sempre a perseguir as minhas paixões, e estava sempre atenta aos meus passos. Agora, eu vou continuar em busca do meu eu, mas vou partilhar com vocês algo que aprendi com ela durante estes anos em que ela esteve comigo:


#1 descobrir a nossa missão
É importante saber do que gostamos, o que nos dá prazer. Pode parecer um pouco idealista falarmos sobre missão, mas sim, a nossa missão pode variar, mas é importante porque é com ela que construímos a nossa felicidade. Fazer o que gostamos, fazer para quem gostamos, lutar pelo que queremos. A minha avó dizia-me, "saber viver custa", e acho que era isto que ela queria transmitir... independentemente das circunstâncias lutarmos pelo que nos faz bater o coração. Temos que nos realizar, pensar em nós primeiro e depois em todo o resto. Este caminho de descoberta vai revelar-se importante para sabermos quem somos, para a nossa auto-estima, para a nossa realização pessoal e felicidade.

#2 Dar poder a outras mulheres através das nossas acções
Vi a minha avó tantas vezes apoiar outras mulheres... Da maneira dela, ela ajudava tantas outras mulheres, não interessava a idade. Desde dar um lápis de cor a uma menina para ela pintar, ou fazer um vestido de baile de finalistas a uma adolescente. Tudo isto, cercado de conselhos sábios... o que é certo é todas elas voltavam de novo para falar com ela. Também juntava as amigas que costuravam, para o fazerem todas juntas. Eram 3, e era uma delícia ouvir as máquinas de costura e as conversas. Falavam de tudo, desde política, aos desgostos ou problemas de família... o mais importante é que aquele espaço era só delas (... e meu, que ficava muito caladinha a observá-las). E isto é que as mulheres precisam... partilhar as suas experiências. Ajuda mútua, sermos verdadeiras amigas. Deixar as críticas para trás e sermos positivas umas com as outras. 

#3 quando vemos uma mulher a viver como um modelo positivo, agradecer
A minha avó era grata para com todas as pessoas, não interessava se era homem ou mulher, mas lembro-me de ela falar de algumas mulheres com muito orgulho. Temos que reconhecer quando uma mulher está realmente a superar as expectativas, mais uma vez deixar a crítica e abraçar todo o esforço que aquela mulher está a fazer para ser mais feliz, mais realizada. Temos que passar esses modelos positivos às nossas filhas, afilhadas, sobrinhas, filhas de amigas, etc... temos mesmo que reconhecer outras Mulheres!

Dedico este texto à minha avó que faleceu este mês com 89 anos, mas tenho a certeza que realizou a sua missão.

Por favor, de mulher para mulher, procurem o vosso verdadeiro eu em 2016.

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